#Texto As previsões de Heinlein - Córa Ronai

Em 1949, Robert Heinlein, um dos papas da ficção científica no século passado, elaborou uma lista de previsões para o Ano 2000. Essa lista, que acabou sendo publicada em 1952 pela revista Galaxy, foi naturalmente muito comentada no ano 2000 e, na quarta-feira passada, foi relembrada pelo ótimo blog listsofnote.com. Como todas as compilações do gênero, tem algumas previsões totalmente furadas; mas, ao contrário das listas mais triviais, tem acertos surpreendentes também. É uma ótima leitura de fim-de-ano.

1. As viagens interplanetárias estarão esperando na porta de casa. Será só pagar e levar.

2. A contracepção e o controle de doenças estão mudando de tal forma as relações entre os sexos que toda a nossa estrutura social e econômica será afetada.

3. O fato militar mais relevante do século é que não há como repelir um ataque vindo do espaço sideral.

4. É absolutamente impossível que os Estados Unidos comecem uma “guerra preventiva”. Lutaremos quando atacados, ou diretamente, ou num território que prometemos defender.

5. Em quinze anos, a carência de moradias será resolvida com a descoberta de novas tecnologias que tornarão as casas atualmente existentes tão ultrapassadas quanto privadas em casinhas.

6. Gradativamente, todos nós ficaremos mais famintos.

7. O culto às esquisitices na arte vai desaparecer. A chamada “arte moderna” só será discutida por psiquiatras.

8. Freud será classificado como um pioneiro intuitivo e pré-científico, e a psicanálise será substituída por uma “psicologia operacional” crescente e mutante, baseada em medidas e previsões.

9. O câncer, o resfriado e as cáries terão sido conquistados; o novo problema revolucionário da pesquisa médica será a “regeneração”, ou seja, possibilitar que uma pessoa desenvolva uma nova perna, digamos, em vez de lhe dar uma perna artificial.

10. Ao fim do século, a humanidade terá explorado este sistema solar, e a primeira nave destinada a chegar à próxima estrela estará em construção.

11. Seu telefone pessoal será suficientemente pequeno para ser carregado na bolsa. Seu telefone doméstico gravará mensagens, responderá a perguntas simples e transmitirá imagens.

12. Vida inteligente será descoberta em Marte.

13. Mil milhas por hora a um centavo por milha será coisa comum; pequenas distâncias serão cobertas por metrôs a vácuo em velocidades extremas.

14. Um dos grandes objetivos da física aplicada será controlar a gravidade.

15. Não chegaremos a um “Estado Mundial” num futuro previsível. Ainda assim, o comunismo desaparecerá do planeta.

16. A mobilidade crescente tornará impossível saber, com precisão, em que estado vivem as pessoas. Por volta de 1990, uma emenda constitucional abolirá as fronteiras estaduais.

17. Todas as aeronaves serão controladas por uma gigantesca rede de radares, comandada em bases continentais por um “cérebro eletrônico”.

18. Peixe e levedura serão nossas principais fontes de proteínas. Carne será um luxo; carneiros desaparecerão.

19. A humanidade não se autodestruirá, nem acabará com a “Civilização”.

Aqui estão algumas coisas que não teremos tão cedo, se é que teremos:

– Viagens no tempo.

– Viagens mais rápidas do que a velocidade da luz.

– Transmissão de matéria por ondas de rádio.

– Robôs humanóides com reações humanóides.

– Criação de vida em laboratório.

– Real compreensão do que é o pensamento, e de como ele se relaciona com a matéria.

– Provas científicas de vida pessoal após a morte.

– O fim permanente da guerra.



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#Texto Nascidos em dezembro

A jovem grávida tinha medo de que seu filho nascesse na noite de Natal. O médico havia previsto que a criança nasceria entre 20 e 30 de dezembro, no mais tardar, 2 de janeiro. Desde a última avaliação de data ela vinha tecendo fantasias. Brincava, ria quando falava disso com as amigas, mas ao verbalizar punha para fora seus receios:

— Já imaginou se a criaturinha resolve nascer na noite de Natal, na hora da ceia?

As amigas diziam que ela sossegasse, seria muita coincidência ele embicar logo no dia 24, “relaxa”, “desencana”, mas se acontecesse, qual o problema?

— Já imaginou? Hospital em noite de Natal?

— Ué, normal.

— Normal! Helooo! Com que disposição você acha que as pessoas trabalham na noite de Natal? Pessoal lá fora comemorando, maior amigo oculto, dando risada, tomando um vinho com o love, e elas lá de branquinho medindo xixi de paciente! Vão ter ódio de mim e do meu filho.

Riam junto com ela daqueles medos, e quanto mais perto chegavam do período provável, mais ela falava naquilo. Fazia questão de parto normal, nada de cortes na sua barriga. O marido apoiava, dizia que a escolha era dela, mas achava bom esse negócio de não cortar. Nem era pela estética da barriga, tinha horror de cirurgia.

Tudo era argumento para ela. Teatralizava:

— Não, não, não, não, não! Meu bebê não vai fazer isso comigo! Sabe que a Mariana, minha amiga, entrou em trabalho de parto no dia 29 de dezembro? O médico estava no Guarujá, maior descansadão! E ela teve dificuldades, correu perigo feio, a pressão foi a quatro. A máxima!

Que nada, não vai acontecer com você, relaxa, desencana, diziam.

E ela, cômica:

— Já imaginou meu filhinho nascendo com aquela barulhada de Natal? O foguetório! Os sustos que ele vai levar, bum!, bum!, depois de passar esse tempo todo no silêncio gostosinho do meu barrigão?

Riam junto. E ela:

— Agora imagina essa: e se o médico sai correndo da mesa da ceia e solta aquele bafo de vinho na cara do meu baby? Tadinho, mal nasceu e já encara um arroto de farofa! E outra: e se houver uma emergência e o anestesista vier correndo vestido de Papai Noel? Não tiver tempo nem de tirar a fantasia?

Gostavam do jeito daquela amiga loquaz, capaz de transformar medos em comédia, mas lembraram a ela que, se não queria filho no final de dezembro, tivesse pensado nisso na hora de engravidar. E ela:

— Na hora a gente não pensa. Ninguém pensa quarenta semanas para frente na hora de transar.

Nas conversas de sala de espera de consultório ela soube que várias grávidas de dezembro tinham preocupações. Por exemplo, os filhos nascidos no fim do ano não gostavam de fazer aniversário perto do Natal, porque perdiam a festinha com os colegas e, lógico, dezenas de presentes. Ou ganhavam da parentada um só presente valendo por dois. Nos casos de parto de fim de ano, a própria festa familiar do Natal era atropelada pela agitação do nascimento. Ficou sabendo que a maioria das mães antecipava a cesárea.

— Nem pensar em cesárea! — ela se manteve decidida. — Vai nascer bonitinho, parto normal, e é antes do dia 20.

Não foi. O dia 20 passou, passou o 21, chegou o 24, e assim que ela se sentou à mesa para a ceia sentiu a primeira contração. O bebê bagunçou a ceia, a entrega dos presentes de amigo oculto, a sequência de brindes espumantes, a festa das crianças, e nasceu saudável e forte às 2 e pouco da madrugada. De cesariana. Deu tudo errado, mas deu tudo certo.



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#Texto Mulher que dá na primeira noite… essa é pra casar.

 

Primeiro eu gostaria de dizer que essa é uma conversa de homem pra homem. Aquela que nosso pai deveria ter tido com a gente. Se você prefere ficar vendo tirinhas engraçadas, vídeos que serão esquecidos em minutos ou fofocas na Internet, pode parar por aqui.

Mesmo que esse texto seja desnecessário para muitos homens, é possível que haja leitores PdH ainda desavisados, então vamos direto ao ponto.

“Puta x mulher pra casar”? Pense de novo.
Desde pequeno, por meio de novelas e filmes de Hollywood, nossa mente foi programada com a seguinte ideia: mulheres são princesas delicadas que devem ser amadas e cuidadas. Qual é o problema com essa frase? Nenhum. Isso tudo é verdade, mas somente metade. Mulheres são princesas, emocionais e delicadas? Sim. Mulheres são safadas, sedentas por sexo e pensam nisso tanto quanto e às vezes mais do que os homens? Sim! Mas infelizmente essa informação não foi programada na nossa mente durante a juventude, resultando agora em uma dinâmica bem curiosa.

Eu sempre achei que quando uma mulher transava na primeira noite ela era uma pessoa sem valor. Quem nunca pensou dessa forma que atire a primeira pedra! Se você ainda pensa assim, continue lendo e provavelmente vai mudar de ideia.


É a visão de um homem sobre o assunto, vale a pena ler =]



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#Texto 10 coisas irritantes de aniversários

1- Mais irritante do que gente que lembra do seu aniversário é gente que não lembra do seu aniversário.

2- Aniversários chatos de pessoas velhas da família sempre são obrigatórios pois sempre tem aquela chantagem emocional da sua mãe: minha filha, pode ser o ultimo aniversário da sua bisavó. Obs- fui pro último aniversário da minha bisa por 10 anos seguidos. Deus a tenha.

3- Mensagens do tipo “e onde vai ser o bolo?” e “tá ficando mais velhinha, hein? Kkkk.” Cartões “engraçados” do Garfield comprados na fila do Caixa Rápido do DB da Cidade Nova.

4- Depois dos 10 anos só quem te dá presente são suas vós. Tomara que elas durem mais que minha bisa.

5- As pessoas dizem que você parece mais Madura do que é. Desde quando ser Madura é um elogio? É um jeito educado de falar que você parece ter 30 anos.

6- Você engorda 5 quilos em um dia por causa da TDA (Tensão Durante Aniversário).

7- As pessoas começam a medir suas conquistas profissionais e amorosas e começam a falar em casamento.

8- Fotos com convidados e maxilar dolorido de tanto “sorrir”.

9- Sua mãe chorando e contando a história da sua vida. Pessoas de classe média não tem histórias interessantes.

10- Aniversários, mais um ano ou menos um ano? Eles perdem a graça quando você ganha maturidade, não são mais só presentes e dinheiro, agora eles são provas que você tá mais velho, que você tem que crescer. Você tá quase se formando, quase na idade de casar, quase na idade de pagar faculdade pros filhos, quase na idade de se aposentar, quase na idade de morrer.



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#Texto Herança escolar – por Suzane Lindoso



Quem não guarda boas lembranças de pelo menos um professor, que atire a primeira pedra. É isso mesmo. Cada um de nós deve trazer num canto qualquer da memória a figura, a voz, o sorriso, o jeito de olhar, a aula, a letra, o exemplo de – minimamente – um mestre.

O tempo em que se viveu esta experiência pouco importa. Já houve a escola extremamente rigorosa e punitiva, na qual o docente tinha sempre a última palavra e, não poucas vezes, a única palavra. Contudo, mesmo em circunstâncias tão áridas, os sentimentos brotavam, possibilitando laços afetivos invisíveis e não raro inconfessáveis. Mas nem sempre foi assim, pois com o tempo os alunos ganharam importância e a aprendizagem passou a ser o centro dos estudos pedagógicos. Com a mudança de foco, o rigor já não encontrava mais solo fértil. Reflexo direto sobre as relações entre os mestres e seus discípulos.

Os filhos da ditadura resolveram reescrever a história e dar um basta no autoritarismo. Era inadmissível que apenas professores, pais, educadores, enfim, decidissem. Era chegado o momento dos filhos, dos alunos. A sociedade vislumbrava um mundo novo que, não muito depois, se mostrou em nada admirável. Liberdade era o sentimento, a busca, a palavra de ordem.

Em nome dela muitos voos foram alçados, muros transpostos, desafios enfrentados à unha. Demandou tempo. Envolveu gerações. Somou-se a tudo isto o desenvolvimento econômico de muitos países, o crescimento dos ideais capitalistas, de consumo. A indústria pronta para realizar sonhos. A condição financeira concretizando-os.

Mas, e as escolas? Motivação. Tema constante nas reuniões docentes: Como despertar a motivação dos alunos? A escola deverá ser prazerosa. De preferência, pegando leve, partindo do conhecimento prévio do aluno, aberta ao contemporâneo.

É simples compreender. O que é clássico, antigo, distante do cotidiano moderno deve ser posto em segundo plano. Conceitos ultrapassados, palavras em desuso, objetos obsoletos. O novo, atual, moderno é muito mais motivador, pelas próprias características e pela proximidade. Não há como contestar.

Sim. Mas e a escola? Os temas, nas reuniões pedagógicas, passaram também pela educação bancária, construtivismo, inteligência emocional, projeto pedagógico, habilidades, competências. A escola de hoje ainda busca a redefinição de papel, de status.

Como sermos professores motivadores se o grande arcabouço de conhecimento inclui também o antigo, o clássico? Como provarmos por A+B que as coisas adquiridas, na maioria das vezes com dinheiro, não podem ser a única meta de um ser humano? Como convencermos os adolescentes de que os recursos tecnológicos ultrapassam o MSN, as redes sociais? Que o Google é mesmo uma excelente ferramenta e que nos possibilita atividades outras que não apenas a cópia e a colagem? Que dominar a tecnologia vai muito além de tudo isso?

Mesmo diante de tantas mudanças, ainda é possível imaginar que os alunos de hoje levem em suas lembranças da escola a de um professor que foi marcante. A humanidade consegue manter-se em meio ao caos. Os laços afetivos, talvez ainda invisíveis, sobrevivem quais náufragos presos a tábuas de salvação.

A docência tem atraído cada vez menos interessados. O salário não é atrativo. A sociedade não vê mais na figura do mestre aquele que contribui para a formação de seus filhos. Os alunos não se veem no dever de respeitá-la. É vista como despreparada e mal colocada profissionalmente, por não terem dado certo em nenhuma outra profissão.

Como professora, desejo que nossas reuniões não mais se limitem a discutir o que fazer com os celulares que os alunos insistem em levar para as salas de aulas, mesmo havendo uma lei que proíba tal atitude; que as escolas não mais se vejam envolvidas em noticiários policiais, por agressões, desrespeitos, bullying; que nossos educadores não precisem enfrentar situações delicadas pela falta de autoridade dos pais, que esperam que a escola eduque seus filhos, mas que não permitem quando ela tenta.

Sonho com uma escola que defenda a liberdade; que seja contemporânea, moderna; que, sobretudo, resgate seu status de local do saber, que inclui tudo o que foi construído até nossos tempos; status de ambiente de aprendizagem, de crescimento, de partilha. Enfim, sonho que nós, professores, possamos fazer parte do legado da escola e não apenas de estatísticas.



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