#Cronica As mulheres e suas sofisticadas emoções

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Com um olhar mais atento percebemos já no princípio de sua infância, há diferença de comportamento entre meninos e meninas. Especialmente no campo da empatia. Há, aí, uma sintonia fina para  perceber e  captar emoções e sentidos do outro. Não se resume apenas a sua  capacidade de perceber e sentir tristezas, mais  toda  uma  atmosfera emocional que lhe cerca ou envolve.
Segundo vários estudos os meninos são mais "físicos" quando desejam algo. Até em suas brincadeiras mais simples e  cotidianas, essa medição de forças, como uma espécie de um cabo de guerra invisível, não fica difícil de se perceber.
Um brinquedo entregue as meninas são compartilhados  tendo como base a fala e a arma verbal. A verbalização das emoções nas meninas é  fator crucial. Não é comum que forcem a barra para conseguir seus intentos.
Noutras palavras são mais justas em suas partilhas. No tocante ao que é seu, e dos outros. Mas aí, surge algo interessante e engraçado  em alguns casos: ela também usa dessa habilidade para manipular, às vezes, claro. Direciona  sua  vítima para onde  bem   entende. E o adágio popular  parece  verdade: "a mulher  enganou  até o diabo".
As trombadas em meio às brincadeiras dos meninos  são frequentes, parecem serem inevitáveis. Até nas escolinhas e creches, cercados de pessoas da área de comportamento ou monitoradas, não  há,  evitabilidade.
Vários estudos já provaram de forma cabal que  as mulheres  supervalorizam a intimidade. Seu universo particular está intrinsecamente liga do ao outro, em suas emoções mais genuínas. É um  quebra-cabeças interessante e curioso, vê-las falando uma com as outras ou  usando da arte de interagir sem a menor culpa.
Ao passo que os homens falam do seu mundo interno: carros, trabalho, futebol, viagens, as mulheres se aprofundam  em seu universo interior. Às vezes são tão interativas, que sua afinidade lhe  faz andar em bando.
Então, ao se deparar com uma mulher à sua frente, tenha cuidado, não
fale um turbilhão de   abobrinhas  superficiais, elas não  irão  achar  o papo
tão chato, mas sim, você. Hão  de  achar que seu  mundo é cálido, sem vida, pulso. rsrs
Viva as mulheres. Precisamos das  danadas até para sentirmos saudades delas. Rsrs



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#Cronica Amor (por Arnaldo Jabor)

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Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no 
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a 
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama 
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura 
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor



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#Cronica Mundo Animal (Fernanda Torres)

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No morro atrás de onde eu moro vivem alguns urubus. Eles decolam juntos, cerca de dez, e aproveitam as correntes ascendentes para alcançar as nuvens sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas. Depois, planam de volta, dando rasantes na varanda de casa. O grupo dorme na copa das árvores e lembra o dos carcarás do Mogli. Às vezes, eles costumam pegar sol no terraço. Sempre que dou de cara com um, trato-o com respeito. O urubu é um pássaro grande, feio e mal-encarado, mas é da paz. Ele não ataca e só vai embora se alguém o afugenta com gritos.
Recentemente, notei que um bem-te-vi aparecia todos os dias de manhã para roubar a palha da palmeira do jardim. De vez em quando, trazia a senhora para ajudar no ninho. Comecei a colocar pão na mesa de fora, e eles se habituaram a tomar o café conosco. Agora, quando não encontram o repasto, cantam, reclamando do atraso. Um outro casal descobriu o banquete, não sei a que gênero esses dois pertencem. A cor é um verde-escuro brilhante, o tamanho é menor do que o do bem-te-vi e o Pavarotti da dupla é o macho. Sempre me impressiono com o volume dos trinados vindos de um bichinho tão pequeno.
A ideia de prender um passarinho na gaiola, por mais que ele se acostume com o dono, é muito triste. Comprei um periquito, uma vez, criado em cárcere privado, e o soltei na sala. Achei que ele ia gostar de ter espaço. Saí para trabalhar e, quando voltei, o pobre estava morto atrás da poltrona. Ele tentou sair e morreu dando cabeçadas no vidro. Carrego a culpa até hoje. De boas intenções o inferno está cheio.
Vi a notícia de uma pesquisadora do Pantanal que espalhou abrigos de madeira pela região para ajudar na reprodução das araras-azuis. Uma ideia simples que fez diferença e ainda contribuiu para que outros irmãos penados, como corujas e águias, tivessem um teto. Estou pensando seriamente em fazer o mesmo aqui.
Quase infartei de espanto no dia que vi a capivara da Lagoa. Eu não esperava que fosse tão grande. Era um sábado ensolarado, ela estava dormindo na beira d’água, debaixo do manguezal. Os pelos eram como agulhas pontudas e juntou gente para tirar foto. Soberana, a bicha nem se importou com a fama, levantou a cabeça, olhou em volta e retomou o cochilo.
Estive no Zimbábue em 1996. A vida selvagem da África é tão imperiosa que o hotel recebia a visita habitual de elefantes, javalis e babuínos. Não estou falando de uma reserva afastada, era na zona urbana que circunda Victoria Falls. Havia placas espalhadas por todo o lodge alertando os visitantes de que não era seguro brincar com os animais.
Os javalis enfezados encaravam a gente no caminho do lobby e os macacos invadiam os quartos. Nós, homens, éramos menos donos dali do que eles, uma inversão rara de sentir no mundo civilizado, um receio ancestral de ser mais frágil, mais lento e menos preparado para sobreviver à seleção natural das espécies.
Na Índia, os animais também dominam as ruas, andam em gangues e te miram com curiosidade. É uma experiência estranha a de pedir licença aos macacos para entrar em um templo ou se sentar para jantar.
O Rio de Janeiro existe entre lá e cá, entre o asfalto e a Mata Atlântica, mas a fauna daqui é mais delicada do que a africana e a indiana. Quem tem janela perto do verde conhece bem o que é conviver com os micos. Nos meus tempos de São Conrado, eu costumava acordar com um monte deles esperando a boia. Foi a primeira vez que experimentei cativar espécies não domesticadas.
Lanço aqui a campanha: crie vínculos com um curió, uma paca ou um formigueiro que seja. Eles são fiéis e independentes, não exibem sinais de carência e conectam você com a mãe natureza.
Experimente, ponha um pãozinho no parapeito e veja se alguém aparece.



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#Cronica Holofotes (por Claudia Wasilewski)

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Sentiram a claridade? Opa! Tem gente que não consegue viver sem muita luz sobre a cabeça. Uma iluminação que é fator de sobrevivência. Mais que a própria respiração e o pulsar do coração.

Fico quieta no meu canto percebendo comportamentos.

Duas pessoas se aproximam conversando em tom de voz normal. De repente uma delas vê ao longe alguém que de alguma forma precisa saber de sua chegada. O tom vai para as alturas. Gargalhadas, gestual exagerado e a espera do holofote. Pronto! Fiat lux! Haja luz para satisfazer o ego. Com isto vem uma enxurrada de piadas idiotas e um olhar lancinante caso não exista recíproca de risos e gente se jogando para trás das cadeiras. Por duas vezes fui questionada por que não entrei na vibe. Disse que não tinha inteligência o suficiente para acompanhar e entender as brilhantes piadas. Pensem em duas pessoas felizes com a minha confissão de burrice. Então...

Ninguém pode imaginar o quanto sou tímida. Fotos e gravações para a TV me remetem para o fechamento da porta do avião. Fico questionando o que estou fazendo ali. No avião é mais simples. Homeopatia de 6 em 6 horas dias antes da viagem, que fique claro que isto só serve para as curtas. Me transformo em excelente companhia já que viro uma Claudia paz e amor. Afinal, tenho que continuar com a homeopatia para a volta. Nas longas só tarja preta resolve. Para gravações e fotos seria fiasco total. Já me imaginaram com olhos caídos e boca mole? Boca mole jamais. Respiro fundo, falo rápido, sorrio muito e saio com a roupa pingando. Amo uma palestra ou debate! Vou feliz. Olhar nos olhos de outras pessoas me traz segurança. Talvez a sensação de vazio que sinto nos aviões e na frente das câmeras tire minha tão amada lógica. Em outra crônica (Mudando de Dimensão), falei da dificuldade de entender o que não vejo.

Não posso deixar de lado o vaidoso. Não são todas as mulheres e homens vaidosos que buscam holofotes. Estar bonito não tem nada a ver com o exagero em aparecer. A maioria é prepotente. Se acham perfeitos e tenho a certeza que quando se olham no espelho querem... ter um caso com eles mesmos. Para ser o centro das atenções vale qualquer coisa. Pisão no pé, joelhada no saco e dedo no olho. Não existe espaço para que ninguém fique por perto. Pode ser mais bonito. Pode ser mais inteligente. Pode questionar. Aí é o fim do mundo. Vejam a fórmula. Arrogância + Autoritarismo + Beleza = Solidão. Sim, senhores. O vaidoso do sistema solar faz questão de afastar dele qualquer um que minimamente pense. Por favor, é só dar uma olhada em volta que facilmente identificamos os sujeitos. De dar pena. Tadinhos!!!

Desejo para os que buscam a claridade que tenham boa sorte. Não faço parte deste mundo e muito menos sirvo de plateia para eles. Enquanto eles vão derrubar alguém, desrespeitar, iludir ou ainda infringir as leis, vou levar minha vida bem sossegada. Luz em excesso faz mal para a minha pele. O bronzeado parece manchado. Tô fora.



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#Cronica Carta ao homem da rua

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Olhando assim, de fora, até que eu sou bem comum.

Não costumo chamar a atenção por motivo algum, seja pela forma como me visto ou como me comporto. Não sou o tipo de mulher que é a primeira a ser abordada pelos caras em uma festa. Na verdade estou mais para aquelas a quem eles recorrem depois de já terem levado um toco e estão nas fronteiras do estar bêbado.

Enfim. Duvido que alguém me olhe duas vezes.

Talvez isso tenha facilitado o desenvolvimento de uma mania meio boba, que eu tenho: escrever cartas que nunca serão enviadas.

Escrevo cartas para qualquer pessoa que vejo na rua. Vejo alguém, tenho vontade de lhe dizer algo e escrevo a carta. Como provavelmente nunca verei essa pessoa novamente, nunca entrego.

É bobo, eu sei. Mas já tenho algumas caixas cheias dessas cartas. E criei um certo apego a elas. Por outro lado não consigo perder essa mania e nem quero. É gostoso reler algumas dessas cartas de vez em quando. Dá para perceber o quanto eu mudei com o tempo.

Inclusive, um dos motivos para essas cartas nunca serem entregues tem uma história engraçada. Uma vez eu tentei entregar e não funcionou.

“22 de março de 2010

Caro Sr. Da Calçada da Loja de Roupas,

Tudo bem?

A gente se vê todos os dias, porque eu preciso passar na rua onde você o senhor fica sentado para ir a qualquer lugar. Não é necessariamente a rua da minha casa, mas é ao lado.

Às vezes passo por aí e o senhor acena pra mim, mas não é todo dia sempre. Nessas vezes acho que está bêbado demais para enxergar qualquer coisa.

Um dia minha mãe disse que te viu contando umas histórias engraçadas para uns meninos na rua. Eles estavam no bar aí do lado e começaram a te provocar. Só que aí o senhor começou a contar umas histórias sobre sua infância e adolescência e os bobocas ficaram todos de queixo caído, te ouvindo falar.

Eu já te ofereci dinheiro, comida, suco, bonbom bombom. Mas atenção nunca. Sempre passo correndo pelo seu ponto, atrasada pro trabalho, pro jantar, pra vida.

Então hoje cheguei em casa e resolvi dedicar um pouco de atenção para essa carta, que entregarei ao senhor hoje mesmo.

Cordialmente,

A garota da rua ao lado”

Essa foi a carta.

Eu dobrei com cuidado, coloquei dentro de um envelope bonitinho e troquei o pijama por um vestido qualquer.

Dobrei a esquina e logo avistei o montinho de panos sujos que marcavam seu lugar. Mas ele não estava lá. Estava pedindo um gole de cachaça no bar.

Eu esperei até o dono do bar negar a cachaça e ele sair de lá um pouco contrariado. Fiquei meio constrangida de abordá-lo e quase voltei com a carta para casa. Mas aí pensei que a carta ficaria lá, dentro da caixa e ele deveria se sentir sozinho. Então decidi entregar.

Me aproximei e ele me olhou um tanto ressabiado. Estendi a carta e ele a olhou por um instante. Talvez achou que dinheiro seria mais útil. Fiquei sem graça.

Ele sorriu, coçou a nuca e me devolveu a carta.

_Sei ler não, moça. Desculpa.

Eu fiquei sem ação. Nunca me senti tão mal como naquele dia. Um misto de remorso e culpa por ele não saber ler, junto com medo de tê-lo constrangido. Eu balbuciei um monte de coisas ininteligíveis e foi ele quem me salvou daquela situação ridícula.

_Espera. Me dá esse papelzinho.

Fiquei ali parada, sentindo as orelhas arderem, enquanto ele manipulava minha carta. Nem tinha coragem de olhá-lo.

E então ele estendeu uma flor de origami para mim.

Ainda a tenho guardada nas minhas caixas.



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